Pular para o conteúdo

O que é considerado tempo de contribuição?

O que é considerado tempo de contribuição?
Credito imagem – freepik.com

Entender o que é considerado tempo de contribuição é o primeiro e mais importante passo para garantir seus direitos previdenciários no futuro.

Seus pais, avós e até você, quando começar a trabalhar, acumularão esse tempo para ter direito a benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), como a aposentadoria. É um conceito essencial que pode parecer complicado, mas com a explicação certa, fica muito fácil de entender!

O tempo de contribuição é, basicamente, a soma de todos os meses em que você trabalhou e, por causa disso, pagou (ou o seu empregador pagou) a Previdência Social. É como se fosse um “cofre de tempo” que você vai enchendo ao longo da vida para poder usar quando não puder mais trabalhar. É importante não confundir o tempo de contribuição com outro conceito chamado Carência do INSS.

A carência é o número mínimo de contribuições que você precisa ter para “habilitar” o direito a um benefício, enquanto o tempo de contribuição é a soma total, usada para calcular se você já tem o tempo necessário para se aposentar.

Karoline Francisco, advogada previdenciária, explica que tempo de contribuição é o período em que o trabalhador contribuiu para o INSS (direta ou indiretamente). É a base para praticamente todos os benefícios.

O Que Entra na Contagem do Tempo de Contribuição?

Para que um período de trabalho seja contado como tempo de contribuição, é necessário que tenha havido o recolhimento (pagamento) para o INSS, seja ele obrigatório (para quem trabalha) ou facultativo (para quem não trabalha, mas quer contribuir).

Vamos ver quais são os principais períodos que o INSS considera:

1. Trabalho com Carteira Assinada (Empregado)

Este é o caso mais comum. Se você é um empregado e tem a sua carteira de trabalho assinada, o seu empregador é o responsável por descontar uma parte do seu salário e pagar ao INSS.

Todo o tempo de trabalho registrado na carteira, da data de entrada até a data de saída, é contado. Você não precisa se preocupar em pagar a Guia da Previdência Social (GPS), pois o patrão faz isso!

2. Trabalhador Autônomo e MEI (Contribuinte Individual)

Se a pessoa trabalha por conta própria, como um motorista de aplicativo, um artesão, um vendedor ambulante, ou se é um Microempreendedor Individual (MEI), ela é responsável por fazer o seu próprio pagamento mensal ao INSS.

Nesse caso, o tempo de contribuição só é contado a partir do mês em que o pagamento foi feito corretamente e, desde 2019, o valor pago precisa ser igual ou superior ao de um salário mínimo. Se o pagamento for menor, aquele mês não conta, a menos que a pessoa pague a diferença.

3. Contribuinte Facultativo

Esta categoria é para quem não está trabalhando, mas quer continuar pagando o INSS para não perder o tempo de contribuição e os direitos a benefícios. É o caso de estudantes, donas de casa ou pessoas desempregadas. O tempo conta a partir do pagamento mensal correto.

4. Serviço Militar

O período em que uma pessoa serviu às Forças Armadas (Exército, Marinha ou Aeronáutica) como serviço militar obrigatório é considerado tempo de contribuição. É preciso pedir um documento que comprove esse tempo (Certidão de Tempo de Contribuição) e apresentar ao INSS.

5. Recebimento de Benefícios (Salário-Maternidade)

Se a segurada recebeu o benefício de salário-maternidade, todo aquele período de afastamento para cuidar do bebê também é contado como tempo de contribuição. É um ponto muito importante que garante o direito da mãe.

6. Tempo de Serviço Público

Se você trabalhou como servidor público (federal, estadual ou municipal) em um Regime Próprio de Previdência (RPPS), esse tempo pode ser “trazido” para o INSS (Regime Geral de Previdência Social – RGPS) por meio de um processo chamado averbação, utilizando a Certidão de Tempo de Contribuição (CTC).

O Que Não Entra na Contagem?

Assim como é importante saber o que conta, é fundamental saber o que não conta como tempo de contribuição:

1. Trabalho “Sem Carteira” (Sem Comprovação)

Se a pessoa trabalhou sem ter a carteira de trabalho assinada e não conseguir provar de forma clara esse trabalho (com documentos, testemunhas, etc.), esse tempo não será contado automaticamente. É necessário buscar a comprovação legal para que o INSS o reconheça.

2. Contribuições Muito Baixas

Após a Reforma da Previdência de 2019, se o valor da sua contribuição em um mês for menor do que o mínimo exigido por lei (que é o valor do salário mínimo), esse mês pode não contar como tempo de contribuição. Como falamos antes, é preciso completar o valor para que o mês seja contado.

3. Tempo Fictício

A lei brasileira não permite contar como tempo de contribuição períodos em que não houve trabalho ou pagamento efetivo. Por exemplo, tempo em que a pessoa ficou apenas estudando ou períodos de afastamento que não são cobertos por lei (como licença não remunerada sem desconto de contribuições).

Por Que o Tempo de Contribuição é Tão Importante?

O tempo de contribuição é a chave para a maioria dos benefícios do INSS. Ele é o principal requisito para você poder pedir:

  • Aposentadoria Programada (Antiga Aposentadoria por Tempo de Contribuição): Você precisa acumular um número mínimo de anos de contribuição, além de cumprir a idade mínima (regra mais comum após a Reforma).
  • Aposentadoria por Idade: Além da idade mínima, você precisa ter um tempo mínimo de contribuição (15 anos, ou 180 meses, na maioria dos casos).
  • Outros Benefícios: Embora benefícios como o Auxílio-Doença (agora Auxílio por Incapacidade Temporária) dependam mais da carência, o tempo de contribuição total influencia no valor que a pessoa vai receber no futuro.

Como Saber Quanto Tempo Você Já Tem?

Você não precisa esperar o dia de se aposentar para descobrir quanto tempo de contribuição você já tem. Existe uma ferramenta oficial e gratuita do INSS chamada CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais). É o seu extrato de contribuições.

É como um extrato bancário, mas em vez de mostrar dinheiro, ele mostra os seus vínculos de trabalho e as contribuições pagas mês a mês. Você pode acessar o CNIS:

  1. Pelo site ou aplicativo Meu INSS.
  2. Pedindo o extrato em uma agência do INSS.

É fundamental que você (ou seus pais) verifiquem o CNIS periodicamente. Se houver alguma informação errada (como uma data de saída que está faltando, ou um salário que parece incorreto), é preciso guardar os documentos (como a carteira de trabalho, contracheques) e pedir para o INSS corrigir o erro.

A correção é importante para que o seu tempo seja contado de forma justa quando você for pedir a aposentadoria.

Resumo Simples para Entender de Vez

Pense na sua vida de trabalho como uma viagem em que você junta pontos:

ConceitoExplicação Simples
Tempo de ContribuiçãoÉ o total de “pontos” que você juntou, ou seja, todos os meses que você trabalhou e pagou o INSS. É o que vai definir quando você pode se aposentar e qual será o valor do seu benefício.
CarênciaÉ um número mínimo de “pontos” que você precisa ter para poder “desbloquear” o direito a um benefício específico (como 12 pontos para Auxílio-Doença, ou 180 pontos para Aposentadoria por Idade). É um requisito básico.

O principal a lembrar é que, para contar, precisa haver o pagamento! Não basta só ter trabalhado; o dinheiro da contribuição precisa ter chegado ao INSS. Se você tem carteira assinada, o patrão cuida disso; se você é autônomo, você tem que pagar a sua guia.

Com essas informações, o conceito de tempo de contribuição fica claro e você pode ajudar sua família a entender a importância de acompanhar o CNIS e garantir que todos os períodos de trabalho estão registrados corretamente. O futuro da sua aposentadoria começa a ser construído desde o seu primeiro emprego!

EconomiaPro

Deixe um comentário